terça-feira, 6 de outubro de 2009
SEMPRE SERÁ - Conto Fantástico LIP II
Era noite, uma terça-feira chuvosa, o clima estava frio e com o calor e a luz proporcionados pela lareira acesa dentro de casa tudo indicava pra uma noite de bons sonhos. Esta era a casa de Lorenzo, que já há uma hora estava em seu quarto solitário em um repouso profundo. Foi durante essa noite que o fogo da lareira de Lorenzo começou a tomar forma, começou revoltar-se, saiu da lareira, libertou-se da grade que sempre o prendera e andava revolto pela casa. Esse fogo queimava tudo de mais valioso que podia alcançar, queimava o que Lorenzo prezava em seu lar, esse fogo com certeza conhecia o velho dono daquela casa. A chama foi subindo as escadas queimando todas as fotografias, quadros e recordações, enquanto que o procurado pelo fogo sentia enorme dor no lóbulo direito de seu cérebro, mas não podia acordar de seu repouso profundo que a essa hora se transformava em pesadelo irretornável. O agora sofredor Lorenzo se debatia mentalmente enquanto sentia que estava totalmente impotente, e esperava pagar pelo que sabia ser culpado. Agora passava pela memória de Lorenzo o quão corrupto foi enquanto político, foi um verme, alguém desprezível, sabia que merecia a punição e esse dia acabava de chegar. O dia amanheceu e o castigo continuava, era a raiva condensada de um povo esquecido. Médicos chegaram à casa de Lorenzo e constataram que o ex-político estava em estado de coma, foi levado ao hospital e conectado aos aparelhos. Lorenzo traíra toda sua família e, portanto, sua única companhia eram as máquinas e o enfermeiro que entrou apenas uma vez seu quarto. O desprezível permaneceu por uma semana ligado aos aparelhos, até que chegou ao hospital uma autorização por escrito de sua única filha. Esta folha de papel parecia ser o sonho de muitos, era a justiça, significava a liberdade e vitória de muitos presentes e fazia jus memória dos que já se foram, era a autorização para a prática da eutanásia. Porém essa era mesma eutanásia que Lorenzo havia implementado durante seu governo e agora, como sempre, se servia a ele. E assim se procedeu.
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