terça-feira, 17 de novembro de 2009

Anúncio Cigarro LIP II

Duzentos e setenta e sete dias. Forma-se uma criança. Ela nasce. Encontra um mundo de possibilidades. Tudo é estranho, árvores, rios, minérios, matérias-primas a serem trabalhadas. Seres vivos. Luz. Afeto. No primeiro momento, assusta-se. Depois reconhece o carinho. Ainda bebê começa a moldar-se. Ganha voz, depois a fala. Engatinha e então, de súbito, anda. Nos primeiros passos necessita de apoio. A confiança mistura-se com o medo. O crescimento é constante, interrompível. Surgem então as experiências, as paixões, as dúvidas. Com onze invernos frustra-se. Com doze verões reintegra-se. Com treze outonos conhece o vício do tabaco, por uma mera curiosidade. Aos trinta e dois não há mais primavera.

domingo, 8 de novembro de 2009

Sonho

Acordei apressado, nem reparei no meu terno amassado, vesti-o, corri para o trabalho como dito e ordenado, canso-me de sorriso na cara, e pálpebras pesadas, volto para casa, ligo a televisão, assisto a televisão, durmo de olhos abertos e enxergo que enxergam por mim.